Projeto aprovado no Senado cria monitoramento com IA para agressores de mulheres
Mais de 621 mil medidas protetivas foram concedidas no Brasil apenas em 2025, segundo dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), o equivalente a cerca de 70 decisões por hora. Diante desse volume, o Senado aprovou nesta quarta-feira (11/03/2026) um projeto que cria um sistema nacional de monitoramento de agressores com uso de inteligência artificial.
A iniciativa prevê o uso de plataformas digitais integradas a bases de dados públicas para acompanhar pessoas que estejam submetidas a medidas cautelares ou protetivas determinadas pela Justiça em casos de violência doméstica.
Uma das ferramentas previstas é o monitoramento eletrônico do agressor, que poderá ocorrer por decisão judicial. O acompanhamento pode incluir tornozeleiras eletrônicas ou dispositivos equivalentes, capazes de registrar a localização e identificar automaticamente o descumprimento das distâncias mínimas impostas em decisões judiciais.
Essas informações serão processadas por um sistema com inteligência artificial, que poderá detectar violações em tempo real e emitir alertas automáticos às autoridades responsáveis.
O projeto também estabelece a possibilidade de uso de tecnologias voltadas diretamente às vítimas, como aplicativos de celular ou dispositivos vestíveis. Entre as funcionalidades previstas estão alertas quando o agressor se aproximar da área proibida, histórico de tentativas de descumprimento das medidas judiciais e botão de emergência para acionamento imediato das forças de segurança com envio de localização.
O acesso às ferramentas será facultativo e gratuito, condicionado ao consentimento da vítima. O texto também determina que os dispositivos sejam discretos e de fácil utilização, para evitar exposição ou estigmatização da pessoa protegida.
Outro ponto do projeto é a criação de um banco de dados nacional sobre agressores monitorados. A base utilizará técnicas de aprendizado de máquina para identificar padrões de comportamento e apontar possíveis riscos de reincidência.
Com base nessas análises, o sistema poderá emitir alertas preventivos para autoridades em situações consideradas atípicas, como remoção do dispositivo de monitoramento ou deslocamentos incompatíveis com as restrições judiciais.
Portal SBN | Lucas Queiroz

