Atirar-se às ondas

Portal SBN
Quarta, 20 de outubro de 2021, 16:15:21

Atirar-se às ondas

Motivacional - Velho Testamento

Naquele momento, Jesus preparava os apóstolos para o que estava por vir.

Mostrava-lhes o que deveria suceder a Ele, cumprindo as palavras dos grandes profetas do Velho Testamento.

Filipe, emocionado com aquelas revelações, interrogou:

Mestre, como pode ser isso, se sois o modelo supremo da bondade? O sofrimento será, então, o prêmio às Vossas obras de amor e sacrifício?

Eis uma dúvida genuína: Por que Jesus precisou mergulhar no sofrimento se não tinha nada para resgatar?

Vim ao mundo para o bom trabalho e não posso ter outra vontade, senão a que corresponda aos sábios desígnios dAquele que me enviou.

Minha ação se dirige aos que estão escravizados, no cativeiro do sofrimento, da expiação. Instituindo, na Terra, a luta perene contra o mal, tenho de dar o legítimo testemunho dos meus esforços.

Necessitamos ponderar que as palavras dos ensinos somente são justas, quando seladas com a plena demonstração dos valores íntimos.

Acreditais que um náufrago pudesse sentir o conforto de um companheiro que apenas se limitasse a dirigir-lhe a voz amiga, lá da praia, em segurança?

Para salvá-lo, será indispensável ensinar-lhe o melhor caminho, atirando-se, igualmente, às ondas, partilhando dos mesmos perigos e sofrimentos.

O fardo que sobrecarrega os ombros de um amigo será sempre mais agravado em seu peso, se nos pusermos a examiná-lo, muitas vezes guiados por observações inoportunas.

Ele, entretanto, se tornará suave e leve para aquele a quem amamos se o tomarmos com os nossos esforços sinceros, ensinando-lhe como se pode atenuar o peso, nas curvas do caminho.

*   *   *

Reflitamos sobre as palavras de Jesus.

Ele se utiliza da imagem de um náufrago ouvindo a voz amiga de um companheiro, que está na praia.

Em paralelo, compara com a atitude desse mesmo companheiro quando se atira às ondas, partilhando dos mesmos perigos e sofrimentos.

Da praia, falamos com o coração, mas sem nos colocarmos no lugar do outro.

Quando nos atiramos às ondas, conseguimos nos entregar às dores alheias, damos um passo a mais na direção do próximo. Nossa visão se amplia e a ajuda é mais eficaz.

Atirar-se às ondas não pode ser entendido como cair, como corromper-se ou envolver-se nos mesmos problemas do outro.

A linguagem figurada do Mestre nos acena a ideia de partilhar a dor, de estender a mão, de doar nosso tempo, de nos encharcarmos da vida do outro para podermos ajudar.

Avisos, conselhos ditos em voz alta, à distância, mostram boa intenção. Contudo, por vezes, sequer são ouvidos porque quem está envolvido no problema precisa de algo mais.

Quem somos nós nessa imagem?

Os que olhamos da praia e nada falamos? Os que observamos da areia e gritamos, preocupados? Os que nos decidimos a mergulhar os pés no mar e conseguimos ver o náufrago, em toda sua aflição?

Somos aqueles cujos joelhos já estão no nível d'água? Ou, quem sabe, somos os que nos atiramos às ondas, no intuito de auxiliar verdadeiramente?

Reflitamos a respeito.

Redação do Momento Espírita, com base no
 cap. 21, do livro Boa Nova, pelo Espírito
Humberto de Campos, psicografia de
Francisco Cândido Xavier, ed. FEB.
Em 18.5.2026

Últimas da Bahia

Veja Mais +