A fúria da natureza

Portal SBN
Quarta, 20 de outubro de 2021, 16:15:21

A fúria da natureza

Motivacional - Resiliência

Foram dez minutos de forte vendaval, chuva arrasadora. Galhos de árvores antigas foram arrancados e levados para longe.

Tormenta alucinante. O ulular do vento semelhava adolescente despejando sua revolta por não ter seus desejos atendidos.

Quando se apresenta a fúria da natureza, nos lembramos de rogar ao Senhor dos mundos o amainar das consequências, como o profeta do Antigo Testamento.

Que não sejam levados os telhados, nem destruídas as habitações. Que sejam poupadas as vidas e diminuídas as desastrosas agruras da passagem dos elementos rebeldes.

Dez minutos apenas que deixaram marcas profundas. Para alguns de nós, mais do que a outros.

Telhados carregados para longe, postes arrancados, residências abaladas, enxurrada arrastando tudo pelo caminho.

Noite de tristeza, de incertezas, de intranquilidade.

*   *   *

Após o rugido da noite, onde o céu desabou e o vento açoitou o mundo, o silêncio do alvorecer nasce como um milagre manso, límpido e profundo.

A tormenta que, em sua violência, levou ninhos e dobrou o orgulho das pedras, dá lugar a um ouro líquido que escorre pelas frestas e cura as velhas fendas.

O sol desperta com dedos de seda, tocando as ruínas com uma calma luz, transformando o rastro da lama em um espelho onde o azul se reproduz.

Ainda há galhos partidos no chão, cicatrizes de um tempo que não perdoou. Mas a brisa agora sopra um hálito doce, provando que a vida não se findou.

As casas, que tremeram sob o açoite do raio e o peso da água bruta, erguem-se banhadas em cores, vencendo a mais amarga e longa luta.

Muros derrubados mostram seu porte ferido, aguardando mãos habilidosas que os venham recompor.

Cada gota que pende das telhas, sobrevivente da fúria que tudo invadiu, brilha como um pequeno diamante, celebrando o novo dia que enfim se abriu.

Os passarinhos, sem casa, mas com voz, ensaiam os primeiros cantos, pois o céu, antes carrasco e escuro, se veste com o mais puro manto.

Não há destruição que resista ao calor que abraça a Terra em renovação, pois a beleza é teimosa e floresce, mesmo após a maior e mais vil devastação.

A luz de hoje não apenas ilumina. Ela acolhe, restaura e promete o bem, lembrando que o sol, depois da tempestade, é a maior vitória que a vida tem.

O homem contempla as ruínas com olhos cansados, mas despertos. Onde antes havia o teto protetor, agora resta apenas o chão coberto pelo barro da desolação.

Com uma força que brota do âmago da sobrevivência, ele ergue a primeira pedra, a primeira viga, a parede, limpando os escombros do que um dia chamou de lar.

Ele reconstrói a rua, convoca o vizinho e redesenha os limites da cidade com a teimosia de quem se recusa a ser apagado.

A plantação, embora devastada, guarda no solo a memória da colheita, esperando pelo suor que a trará de volta à vida.

Tudo o que foi demolido torna-se alicerce para algo mais sólido: a convicção de que a alma humana é o único abrigo que nenhuma tormenta consegue derrubar.

Redação do Momento Espírita
Em 17.4.2026

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