Quem preserva o outro fortalece a si mesmo
O hábito da maledicência é bastante enraizado em nossa sociedade.
A criatura que jamais tece comentários maldosos sobre seus semelhantes chega a constituir exceção.
Mesmo amigos, não raro, nos permitimos criticar os ausentes.
Quase todos os homens possuem falhas morais.
Seria sinal de pouca inteligência não perceber essa realidade.
Não é possível ver o bem onde ele não existe.
Também não é conveniente ser incapaz de perceber vícios e mazelas que realmente existam.
Mas há uma considerável distância entre identificar um problema e divulgá-lo.
Encontrar prazer em difamar o próximo constitui indício de mesquinharia.
Esse gênero de comentário é ainda mais condenável por ser feito de forma traiçoeira.
Frequentemente, quando criticamos o vizinho, o companheiro de atividades, não temos coragem de fazê-lo frente a frente.
É uma grande covardia sorrir e demonstrar apreço por alguém e criticá-lo pelas costas.
Antes de tecer um comentário, é preciso ter certeza de que ele traduz uma verdade.
Sendo verdadeiro, torna-se necessário verificar se há alguma utilidade em divulgá-lo.
A única justificativa para apontar as mazelas alheias é a prevenção de um mal relevante.
Se o problema apresentado por uma criatura apenas a ela prejudica, o silêncio é a atitude digna.
Assim, antes de abrirmos a boca para caluniar alguém, tenhamos certeza da veracidade dos fatos.
Reflitamos se nosso agir visa a evitar um mal, ou se é apenas o prazer de maldizer. Na segunda hipótese, é melhor nos calarmos.
Relevante nos indagarmos se temos coragem de comentar a ocorrência na frente da pessoa criticada.
Isso permitirá a ela dar a sua versão dos fatos e defender-se de inverdades.
Dessa maneira, não nos revistamos com a capa lamentável da covardia.
Não nos tornemos aquele que agride de preferência as pessoas frágeis.
Nem nos utilizemos de subterfúgios, pela falta de coragem para atacar diretamente.
O homem que é alvo do nosso ataque covarde geralmente nem sabe o que lhe aconteceu.
Apenas se espanta ao deparar com sorrisos irônicos aonde quer que vá.
Em ambientes em que era recebido calorosamente, agora só encontra frieza.
Percebe, perplexo, o afastamento de amigos e parentes.
As fisionomias outrora benevolentes tornam-se sisudas.
Raramente alguém lhe esclarece a razão do ocorrido.
Dessa maneira, ele é julgado e condenado sem possibilidade de defesa.
Analisemos nosso proceder e verifiquemos se, por leviandade, às vezes, agimos de maneira maldosa e covarde.
Pensemos nos prejuízos que nossas palavras podem causar na vida dos outros.
Imaginemos se fôssemos nós a vítima do comentário ferino.
Certamente gostaríamos de que a generosidade de alguém apagasse o rastilho de boatos e suspeitas infundadas. Ou nos cientificasse a respeito.
Eliminemos o hábito da maledicência.
Trata-se de um comportamento contaminado pela covardia.
E, sem dúvida, nenhum de nós tem como ideal de vida abraçar esse vício moral.
Pensemos nisso!
Redação do Momento Espírita
Em 23.4.2026
