O impulso e o autocontrole

Portal SBN
Quarta, 20 de outubro de 2021, 16:15:21

O impulso e o autocontrole

Motivacional - Equlíbrio

No coração das montanhas do país de Gales, vivia o príncipe Aaron, um guerreiro respeitado, dono de vastas terras e de um tesouro verdadeiramente insubstituível: seu fiel cão de caça, Gélert.

Gélert era conhecido por todos: grande, forte, atento a cada passo do dono. Mais do que um animal, era guarda, companheiro de batalhas e sombra inseparável do príncipe.

Nada passava despercebido àquele cão de olhos vivos e faro aguçado.

Certa manhã, Aaron partiu para a caça, deixando no castelo aquilo que tinha de mais precioso: seu filho pequeno. Ao lado do berço, como sentinela silenciosa, ficou Gélert, encarregado de proteger a criança.

Horas mais tarde, quando o príncipe voltou, uma estranha quietude pairava no ar. Ao entrar no quarto, encontrou o berço virado, o chão manchado de sangue.

Gélert, ofegante, veio em sua direção, com o focinho e as patas manchadas de vermelho.

O mundo de Aaron desabou num instante. Sem pensar, tomado pelo horror e pela certeza de que o cão havia atacado o próprio filho, ele desembainhou a espada.

Com um golpe, pôs fim à vida de Gélert, que caiu aos seus pés com um olhar de confusa lealdade.

Aaron caiu no chão em lágrimas, sem entender a razão de toda aquela desgraça.

Foi então que um som cortou o silêncio: o choro fraco de um bebê. Atrás do berço tombado, o príncipe encontrou o filho vivo, ileso, apenas assustado.

Ao lado da criança, estendido no chão, jazia o corpo de um grande lobo, morto a dentadas.

A verdade o atingiu como uma lâmina: Gélert não era o monstro, mas o herói. O sangue não era do menino, mas do inimigo que o cão havia enfrentado e vencido para salvar a criança.

Consumido pelo remorso, Aaron tomou o corpo de Gélert nos braços e ordenou que fosse enterrado com honra, sob uma pedra marcada para sempre.

Dizem que, a partir daquele dia, o príncipe nunca mais voltou a sorrir.

Até hoje, conta-se, naquelas terras, a lenda do túmulo de Gélert, que ecoa como um aviso: algumas decisões tomadas por impulso não têm volta.

*

Quantas vezes agimos por impulso e nos arrependemos segundos depois!

Dominados por emoções que eclodem, que nos invadem e tomam conta de tudo, acabamos perdendo o controle, como se diz popularmente.

Eu me descontrolei! Não sei o que houve!

É assim que falamos sobre o que não deveríamos ter falado ou feito e que nos trará consequências difíceis no futuro próximo ou distante.

Foi mais forte que eu!  - Dizemos.

É por isso que estamos nos educando diariamente. É por isso que o Mestre Jesus nos deixou exemplos tão claros. É por isso que a disciplina de pensamentos e o trabalho diário de autoconhecimento são tão importantes.

Para que, quando cheguem momentos desconcertantes - e eles chegarão -, cada um de nós seja capaz de dominar as emoções, de pensar, de analisar as consequências desse ou daquele ato, e tomemos a melhor decisão.

Esperemos um pouco antes de agir. Esperemos um pouco antes de falar. Autocontrole se treina, se educa diariamente. É uma faculdade magnífica quando conquistada.

Redação do Momento Espírita
Em 25.4.2026

 

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