Morre Jesse Jackson, pastor que marcou a política americana
A morte de Jesse Jackson, uma das vozes mais influentes do movimento por direitos civis nos Estados Unidos, foi confirmada nesta terça-feira (17/02/2026). O reverendo faleceu aos 84 anos, em casa, em Chicago, após enfrentar complicações de um distúrbio neurológico, segundo veículos internacionais.
Em nota, familiares afirmaram que ele morreu “em paz, rodeado pela família” e destacaram sua dedicação permanente à justiça e à igualdade. A declaração também ressaltou que sua trajetória inspirou milhões e pediu que o legado fosse honrado com a continuidade das causas que marcaram sua vida.
Figura central da política e do ativismo social por mais de cinco décadas, Jackson ganhou projeção nacional como aliado de Martin Luther King Jr. e manteve atuação constante após o assassinato do líder, tornando-se uma referência na defesa dos pobres e das minorias.
Nascido em 08/10/1941, em Greenville, na Carolina do Sul, ele cresceu sob o regime de segregação racial e transformou a experiência em combustível para a militância. Ao longo da carreira, ajudou a ampliar a participação política da população negra e levou pautas sociais ao centro do debate público norte-americano.
Jackson disputou a indicação presidencial do Partido Democrata dos Estados Unidos em 1984 e 1988, campanhas que quebraram barreiras para candidatos negros e mobilizaram milhões de eleitores, embora ele nunca tenha ocupado um cargo eletivo nacional.
O ativista também fundou organizações voltadas à equidade social e participou de iniciativas diplomáticas e humanitárias, incluindo negociações para libertação de cidadãos americanos no exterior.
Nos últimos anos, a saúde havia se tornado uma preocupação pública. Diagnosticado com doença de Parkinson em 2017, ele reduziu as aparições, mas permaneceu presente em debates sobre racismo e desigualdade, inclusive durante protestos ligados ao movimento Black Lives Matter após a morte de George Floyd, em Minneapolis.
Mesmo com reconhecimento internacional, sua trajetória teve episódios controversos, como críticas por declarações consideradas antissemitas na década de 1980 e o apoio público ao cantor Michael Jackson durante o julgamento por abuso sexual em 2005.
Testemunha de momentos decisivos da história americana, Jackson estava em Memphis em 1968 quando King foi assassinado, episódio que marcou definitivamente sua atuação política e social.
Reconhecido como um dos mais proeminentes líderes civis do fim do século 20 e início do 21, ele deixa uma família numerosa e uma influência duradoura na luta global por direitos e representação.
Portal SBN | Com informações | Agência Brasil
