Exercício de alta intensidade preserva massa muscular na terceira idade, diz pesquisa

Portal SBN
Quarta, 20 de outubro de 2021, 16:15:21

Exercício de alta intensidade preserva massa muscular na terceira idade, diz pesquisa

Estilo De Vida - Exercícios

Um estudo recente da University of the Sunshine Coast, na Austrália, analisou como diferentes tipos de exercício físico impactam a saúde de adultos idosos. A conclusão foi de que exercícios de alta intensidade preserva massa muscular nessa faixa etária.

Um estudo recente da University of the Sunshine Coast, na Austrália, analisou como diferentes tipos de exercício físico impactam a saúde de adultos idosos. A pesquisa acompanhou, por seis meses, mais de 120 participantes com idade média na faixa dos 70 anos. O objetivo foi comparar treinos de alta intensidade, atividades de intensidade moderada e exercícios leves, observando mudanças na composição corporal e, sobretudo, na preservação da massa muscular.

Os resultados indicaram que todas as formas de atividade física contribuíram para a redução de gordura corporal ao longo do período analisado. No entanto, apenas o treinamento intervalado de alta intensidade (HIIT) se destacou por preservar a massa muscular enquanto a gordura era perdida. Assim, o achado chama atenção porque o envelhecimento costuma produzir perda progressiva de músculo, o que afeta diretamente a autonomia e o cotidiano de pessoas idosas.

O que o estudo sobre HIIT em idosos investigou?

De acordo com os dados, o estudo reuniu adultos mais velhos geralmente saudáveis, porém com diferentes níveis de condicionamento físico. Os participantes foram divididos em grupos, cada um seguindo um tipo de programa de exercícios: sessões de HIIT, treinos de intensidade moderada contínua e atividades de baixa intensidade, como caminhadas leves e alongamentos guiados. Todos foram orientados e acompanhados por profissionais ao longo dos seis meses.

O HIIT estrutrou-se com períodos curtos de esforço intenso, intercalados com pausas ou exercícios mais leves. Já o grupo de intensidade moderada manteve um ritmo constante, porém confortável, por mais tempo. No grupo de baixa intensidade, o objetivo central era movimentar o corpo com segurança, sem provocar grande elevação da frequência cardíaca. Ao final do estudo, os pesquisadores compararam perda de gordura, mudanças na massa muscular e outros indicadores de saúde física.

HIIT em idosos: quais foram os principais resultados?

Os cientistas observaram que os três tipos de exercício analisados promoveram diminuição de gordura corporal. Isso sugere que, para idosos que buscam emagrecer ou controlar o peso, diferentes modalidades podem ser úteis, desde que praticadas com regularidade. A principal diferença apareceu quando a equipe avaliou a quantidade de massa muscular mantida durante o processo de emagrecimento.

Apenas o grupo que realizou treinamento intervalado de alta intensidade apresentou preservação significativa da massa muscular ao longo dos seis meses. Nos grupos de intensidade moderada e baixa, houve perda simultânea de gordura e de músculo, algo comum quando a pessoa emagrece sem um estímulo mais intenso para os músculos. Ao destacar esse ponto, os autores do estudo ressaltaram que, para a população idosa, manter o tecido muscular pode ser tão importante quanto reduzir a gordura.

Todos os grupos: redução de gordura corporal.
Apenas o grupo HIIT: preservação consistente da massa muscular.
Grupos moderado e leve: emagrecimento acompanhado de alguma perda de músculo.
Por que a massa muscular é tão importante no envelhecimento?

Na terceira idade, a preservação da musculatura está diretamente ligada à mobilidade e à capacidade de realizar tarefas simples do dia a dia, como levantar de uma cadeira, subir escadas ou carregar compras. Músculos mais fortes favorecem o equilíbrio e ajudam a prevenir quedas, que estão entre as principais causas de fraturas e internações em idosos.

Além da parte funcional, a massa muscular influencia o metabolismo. O tecido muscular consome mais energia em repouso do que o tecido gorduroso, o que ajuda no controle do peso corporal e da glicemia. Assim, preservar músculo pode colaborar para manter níveis mais estáveis de açúcar no sangue e melhorar a resposta do organismo à insulina, fatores importantes na prevenção e manejo de doenças crônicas.

A pesquisa da University of the Sunshine Coast reforça que perder gordura sem perder músculo é um desafio relevante na velhice. Nesse contexto, o HIIT aparece como uma estratégia promissora, desde que usado de forma adequada e adaptada à realidade de cada pessoa.

O que é sarcopenia e como o exercício pode ajudar?

A sarcopenia é a perda progressiva de massa e força muscular associada principalmente ao envelhecimento. Esse processo começa, em média, a partir da meia-idade e tende a se acentuar a cada década de vida. Entre as consequências mais frequentes estão dificuldade para caminhar longas distâncias, menor resistência para atividades simples e maior risco de quedas e fraturas.

A falta de atividade física regular, alimentação insuficiente em proteínas e algumas doenças crônicas podem acelerar esse quadro. Estudos como o da University of the Sunshine Coast indicam que treinos estruturados, especialmente aqueles que combinam estímulos intensos e bem planejados, podem retardar a sarcopenia ou reduzir seu impacto. Ao preservar músculo durante o emagrecimento, o HIIT mostra-se uma ferramenta potencial para lidar com esse desafio da terceira idade.

Redução da perda muscular associada à idade.
Melhora da força e da capacidade de realizar atividades diárias.
Contribuição para maior independência funcional.

Na terceira idade, a preservação da musculatura está diretamente ligada à mobilidade e à capacidade de realizar tarefas simples do dia a dia, como levantar de uma cadeira, subir escadas ou carregar compras.

Todo idoso pode fazer treino HIIT em segurança?

Apesar dos resultados positivos, os próprios pesquisadores enfatizam que o HIIT em idosos exige cuidado. Exercícios de alta intensidade elevam de forma rápida a frequência cardíaca e a pressão arterial, o que pode representar risco para pessoas com problemas cardíacos, respiratórios ou outras condições de saúde não controladas. Por isso, antes de iniciar esse tipo de treinamento, é essencial passar por avaliação médica detalhada.

Outro ponto reforçado na divulgação do estudo é a necessidade de acompanhamento profissional. Um educador físico ou fisioterapeuta capacitado pode ajustar o formato do HIIT para a realidade de cada pessoa idosa, modulando a duração das fases intensas, o tempo de recuperação e o tipo de exercício utilizado. Em muitos casos, a "alta intensidade" para um idoso pode significar um esforço bem menor do que o praticado por adultos jovens, mas ainda assim suficiente para gerar benefícios musculares.

Para idosos com limitações mais importantes, a prática regular de exercícios de intensidade moderada ou baixa também pode trazer ganhos, principalmente em relação à saúde cardiovascular, ao controle do peso e ao bem-estar geral. A mensagem central do estudo não é substituir todas as formas de atividade pelo HIIT, e sim mostrar que, quando bem indicado, o treino intervalado intenso pode ajudar a preservar a massa muscular numa fase da vida em que esse recurso é fundamental para manter autonomia e qualidade de vida.

Por: Giro 10

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