Casos de dengue disparam no país e combate ao mosquito ainda é melhor forma de evitar a doença

Portal SBN
Quarta, 20 de outubro de 2021, 16:15:21

Casos de dengue disparam no país e combate ao mosquito ainda é melhor forma de evitar a doença

Atualmente, a vacina só está disponível na rede privada e só pode ser tomada por quem já teve a doença. Estudo do Butantan traz dados animadores, mas só deve ser concluído em 2024 e vacina deve demorar para chegar ao SUS
Saúde - Dengue

Em 2022, o Brasil registrou 978 mortes por dengue. O número corresponde ao total acumulado até o dia 05 de dezembro, e é o maior já registrado desde 2015. Com a proximidade do verão e o aumento das chuvas, o número deve subir e pode ultrapassar 1 mil, algo nunca visto no país desde a década de 1980. 

De acordo com Fernanda Damiani, médica da medicina preventiva da Samp, existem quatro sorotipos diferentes capazes de provocar a dengue. A infecção com um sorotipo seguida por outra infecção com um sorotipo diferente aumenta o risco de dengue grave e até morte. E muitos fatores podem estar associados à expansão dos vetores da doença, como alterações climáticas, mudanças nas paisagens e nos ecossistemas, e novos padrões e modos de vida da população. 

“Em 2022, além do aumento importante das chuvas, temos quase dois anos sem a visita dos agentes de endemias na casa das pessoas. Todos esses fatores contribuem para a transmissão, não apenas de dengue, mas chikungunya e Zika. Sem dúvidas, a intensificação das chuvas nesse período e o longo tempo sem as visitas domiciliares contribuíram de forma importante para o cenário atual que vivemos. O acúmulo de lixo em terrenos baldios e em residências fechadas também ajudaram significativamente na proliferação de mosquitos transmissores da dengue. O retorno da circulação de pessoas leva a um aumento na circulação do vírus e com isso a possibilidade de transmissão cresce bastante”, explica.

O combate ao Aedes aegypti é fundamental, uma vez que o mosquito pode transmitir a doença para pessoas de todas as idades. A infecção pode ser assintomática ou apresentar sintomas que variam de febre baixa a febre alta incapacitante, com forte dor de cabeça, dor atrás dos olhos, dores musculares e nas articulações e erupções cutâneas. 

“A doença pode progredir para dengue grave, caracterizada por choque, falta de ar, sangramento intenso e/ou complicações graves nos órgãos. Os sintomas iniciais são semelhantes, porém há um agravamento do quadro no terceiro ou quarto dia de evolução, com aparecimento de manifestações hemorrágicas e colapso circulatório. Nos casos graves, o choque geralmente ocorre entre o terceiro e o sétimo dia de doença, geralmente precedido por dor abdominal. Alguns pacientes podem ainda apresentar manifestações neurológicas, como convulsões e irritabilidade”, detalha a médica.

Vacina

Evitar o surgimento do mosquito é a melhor forma de impedir a propagação da doença. Apesar disso, já existe vacina contra a dengue. A imunização está disponível apenas na rede privada, e só quem já teve a doença pode receber a vacina, como alternativa para evitar a forma mais grave da dengue.

O Instituto Butantan trabalha no desenvolvimento de uma vacina contra a dengue há mais de 10 anos. O estudo está na fase 3 e, recentemente, mostrou que a vacina tem uma eficácia de quase 80%. Mesmo assim, a vacina ainda deve demorar um pouco para ser disponibilizada no Sistema Único de Saúde (SUS).

“A vacina é tetravalente, deve proteger pessoas com e sem contato prévio com o vírus. Essa capacidade da vacina de gerar uma resposta imune, foi analisada durante um ano por meio de testes de neutralização do vírus e se manteve alta em todos os participantes. A vacina está sendo produzida com os quatro tipos do vírus da dengue atenuados, ou seja, enfraquecidos. A expectativa é que uma dose seja suficiente, já que, segundo os estudos, a dose adicional não induziu diferenças significativas. Segundo o Butantan, a pesquisa deve ser finalizada até 2024. Essa é uma vacina experimental. Ela tem uma tecnologia diferente de produção, mas os dados de segurança no curto prazo e sua resposta imune são bastante adequados”, esclarece a médica.

Enquanto a vacina não está disponível para todos, o principal método para controlar ou prevenir a transmissão do vírus da dengue é o combate ao mosquito Aedes aegypti. Assim, é preciso cobrir, esvaziar e limpar semanalmente recipientes domésticos que possam armazenar água, utilizar repelentes e instalar telas nas janelas, além de reforçar a participação da comunidade no combate a doença.

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