Ataques de Israel deixam centenas de mortos no Líbano em um dia
Uma ofensiva aérea de grande escala deixou mais de 250 mortos no Líbano nesta quarta-feira (08/04/2026), no episódio mais letal desde o início da guerra entre Israel e o Hezbollah, iniciada em março. Os ataques ocorreram mesmo após o grupo libanês interromper suas ações, em meio a um cessar-fogo de duas semanas firmado entre Estados Unidos e Irã.
Explosões sucessivas atingiram a capital Beirute ao longo da tarde. Em cerca de dez minutos, mais de 100 alvos ligados ao Hezbollah foram bombardeados, segundo as Forças Armadas de Israel, incluindo centros de comando e estruturas militares distribuídas entre a capital, o Vale do Bekaa e o sul do país.
Dados divergentes indicam a dimensão da ofensiva. A defesa civil libanesa contabilizou 254 mortos e mais de 1.100 feridos em todo o território, enquanto o Ministério da Saúde apontou 182 mortes, número tratado como preliminar. Só em Beirute, ao menos 91 pessoas morreram.
O volume de ataques marcou o dia mais violento desde o dia 02 de março de 2026, quando o Hezbollah lançou foguetes contra Israel após ações conjuntas de Israel e Estados Unidos contra o Irã. Desde então, o conflito evoluiu para uma campanha militar com bombardeios e operações terrestres.
Em meio aos escombros, equipes de resgate atuaram sem estrutura suficiente. Relatos de jornalistas no local indicam que feridos foram transportados em motocicletas por falta de ambulâncias, enquanto hospitais registraram escassez de sangue. Em um dos resgates, uma idosa foi retirada por guindaste de um prédio parcialmente destruído na zona oeste de Beirute.
A escalada ocorre em paralelo a um impasse diplomático. O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, havia condicionado o acordo com os Estados Unidos à inclusão do Líbano no cessar-fogo. A interpretação, no entanto, foi rejeitada por autoridades americanas e israelenses.
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, afirmou que o território libanês não faz parte da trégua e que as operações contra o Hezbollah seguem em curso. Integrantes do governo dos Estados Unidos sustentaram a mesma posição, atribuindo a divergência a um “mal-entendido” sobre os termos do acordo.
Do lado libanês, o Hezbollah afirmou ter suspendido seus ataques ainda na manhã desta quarta-feira (08/04/2026), alegando que considerava estar incluído no cessar-fogo. Parlamentares ligados ao grupo disseram que a ofensiva israelense representa violação do acordo e pode afetar as negociações em andamento.
A reação internacional também incluiu críticas. O alto comissário da ONU para direitos humanos classificou a ofensiva como “horrível”, ao mencionar a escala de mortes e destruição poucas horas após o anúncio da trégua regional.
Além dos bombardeios urbanos, Israel atingiu estruturas estratégicas, como a última ponte que conectava o sul do Líbano ao restante do país, sobre o rio Litani. A área ao sul do rio foi descrita por militares israelenses como isolada, dentro de um plano de estabelecer uma zona de contenção.
Hospitais, usinas de energia e áreas civis também foram atingidos, segundo relatos locais. Moradores da região sul relatam falta de alimentos e medicamentos, em um cenário de agravamento das condições humanitárias.
Portal SBN | Com informações | Agência Brasil
