Suspeita de atuar com registro falso da OAB em presídios do ES é presa em Itapemirim
Uma mulher de 55 anos foi presa nesta quarta-feira (29/04/2026) em Itapemirim, no Sul do Espírito Santo, suspeita de usar documento falso para obter registro na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e atuar irregularmente no sistema prisional capixaba.
A prisão ocorreu no bairro Campo Acima, durante a Operação Falsária 2, realizada pela Delegacia de Polícia de Marataízes em conjunto com a Divisão de Inteligência da Polícia Penal do Espírito Santo.
Segundo a investigação, a Justiça expediu mandado de prisão preventiva e também determinou a suspensão do exercício da advocacia pela investigada, após recebimento de denúncia apresentada pelo Ministério Público do Estado do Espírito Santo.
De acordo com a apuração, a mulher teria apresentado certificado falso de aprovação no Exame da OAB datado de 1992, documento anterior à própria graduação em Direito, concluída por ela apenas em 2015.
Com esse material, ainda segundo a polícia, ela solicitou de forma remota à seccional da Paraíba a emissão de segunda via do certificado em outubro de 2017, conseguindo posteriormente inscrição e carteira profissional.
Consultas feitas junto à Fundação Getulio Vargas, responsável por exames da Ordem em parte do período, não localizaram aprovação da investigada entre 2015 e 2017, enquanto a OAB da Paraíba confirmou a fraude documental, conforme a polícia.
De posse da carteira obtida irregularmente, a suspeita realizou 218 atendimentos a internos do sistema penitenciário do Espírito Santo, principalmente em unidades de segurança máxima.
A investigação sustenta que ela atuava como intermediária de comunicações entre presos e pessoas fora das unidades, além de protocolar procurações em processos judiciais.
Entre os presos atendidos, segundo a Polícia Civil, estavam integrantes ou lideranças atribuídas a facções como Comando Vermelho (CV), Primeiro Comando de Vitória (PCV), Primeiro Comando da Capital (PCC) e Amigos dos Amigos (ADA).
Os investigadores citaram ainda visitas ao detento Cleuton Gomes Pereira, conhecido como Frajola, apontado pelas autoridades como liderança do PCV no Estado e transferido ao sistema penitenciário federal em 13/04/2026.
A Operação Falsária 2 é desdobramento de ação realizada em dezembro de 2025, quando mandados de busca e apreensão foram cumpridos na residência da investigada.
Na ocasião, segundo a polícia, foram apreendidos carteira da OAB/PB, bilhetes atribuídos a internos e documentos ligados à inscrição considerada fraudulenta.
Informações: Ascom/PCES
