Menino de 3 anos morto após ser espancado pelo pai sofreu violência brutal: 'Coração chegou a movimentar de lugar'
Um ato de violência classificado como brutal pela Polícia Civil. É assim que é descrita a agressão que causou a morte do menino Oliver Golden Grayson, menino de 3 anos, que morreu após ser espancado pelo pai em Viamão, na Região Metropolitana de Porto Alegre. Os pais de Oliver, Dandre Jermaine Grayson e Mayanna Angelina Rodgers, estão presos preventivamente.
Em nota, a defesa de Mayanna diz que ela "é vítima e se encontrava em estado de grave vulnerabilidade no contexto de violência doméstica, física, emocional e espiritualmente". Leia o posicionamento completo abaixo. Ela tem pais norte-americanos e nasceu no Japão. Portanto, tem dupla cidadania.
Dandre não constituiu advogado e sua defesa ficará a cargo da Defensoria Pública do Rio Grande do Sul.
"O coração chegou a movimentar de lugar de tanta agressão. O fêmur dele chegou a partir ao meio e o crânio foi bem afundado", afirma a delegada Luana Tamiozzo Medeiros, substituta na Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (Deam) e responsável pela investigação.
O quadro de saúde foi descrito à polícia por uma médica que prestou depoimento nesta semana. "Fez o primeiro atendimento do Oliver no hospital."
A vítima também apresentava marcas no corpo que indicam o possível uso de um instrumento contundente. A investigação apurou que o pai utilizava uma cinta para bater nas crianças.
A suspeita inicial da polícia era de que a criança havia recebido três socos e tido a cabeça batida no chão. Contudo, o depoimento da médica revelou uma gravidade maior.
A polícia também investiga a participação da mãe na morte do filho. Segundo ela, foram sessões de "tortura" contra a criança. Conforme a polícia, a mulher estava no quarto ao lado de onde o menino foi morto, por volta das 6h30.
Inicialmente, apenas o pai era considerado suspeito da agressão ocorrida no domingo (5). No entanto, o decorrer das investigações apontou o envolvimento da mãe. "Por ela ser uma garantidora, por ela ser mãe dessas crianças, ela não poderia ter se omitido nas torturas."
A delegada destaca que a residência não possuía portas internas, apenas cortinas. "Por mais que digam que podia existir um som ligado nessa casa, nessa residência, nenhuma música, ao meu ver, seria capaz de abafar o som que aquela criança deve ter emitido diante daquela violência."
Entenda o caso
Dandre Jermaine Grayson, pai de Oliver, é missionário norte-americano e confessou o crime e está preso desde domingo (5). Em depoimento à Polícia Civil, ele disse que a motivação para as agressões foi o filho não ter lhe dado "bom dia".
O crime aconteceu no distrito de Águas Claras, onde a família mora.
O menino estava internado em estado gravíssimo na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) pediátrica do Hospital de Pronto Socorro (HPS) de Porto Alegre e morreu na noite de quarta-feira (8).
O próprio agressor levou o menino até o hospital de Viamão no domingo. Devido à gravidade dos ferimentos, o menino foi transferido para a capital.
Ao constatar as múltiplas lesões, a equipe médica acionou o 18º Batalhão de Polícia Militar (BPM). O norte-americano foi preso em flagrante no hospital. Na segunda-feira (6), durante audiência de custódia, a Justiça converteu o flagrante em prisão preventiva.
Segundo as autoridades, a família vive no Brasil há nove anos e havia se mudado para Viamão há cerca de oito meses.
O que diz a mulher
"NOTA TÉCNICA DA MÃE DE OLIVER
A defesa de Mayanna Angelina Rodgers está colaborando com as autoridades, permanecendo a disposição da justiça para esclarecimentos dos fatos.
Consigna que a constituinte é vítima e se encontrava em estado de grave vulnerabilidade no contexto de violência doméstica, física, emocional e espiritualmente, circunstâncias estas que merecem apuração cuidadosa e técnica, sem qualquer julgamento antecipado.
A defesa confia no devido processo legal, contraditório e ampla defesa, nos termos da Constituição Federal, reafirmando que apenas a ampla instrução processual permitirá a correta apuração dos fatos.
Por respeito a memória da criança e ao sigilo das investigações não serão fornecidas outras informações.
Isabel Cochlar – OAB/RS 71.415
Juliana Braun Martins OAB/RS 103.017
André von Berg - OAB/RS 44.063"
