Grandes eventos e enxaqueca: especialistas alertam para gatilhos
Às vésperas da maior competição de futebol do mundo, vários fatores comuns aos grandes eventos podem funcionar como gatilhos para enxaqueca em pessoas suscetíveis. O estresse emocional causado pela ansiedade antes dos jogos, a tensão durante as partidas e até mesmo a "queda" da euforia após o apito final, podem desencadear crises em pessoas que não estão com a doença controlada.
Alterações na rotina, especialmente nos padrões de sono, ocasionadas por ficar acordado até tarde para assistir aos jogos, o consumo de bebidas alcoólicas, frequentemente associado a celebrações, e de alimentos potencialmente estimulantes, como embutidos, produtos ultraprocessados e itens que contêm determinados aditivos alimentares, também podem favorecer as crises de enxaqueca.
Além disso, o barulho intenso da torcida, a exposição prolongada a telas e os estímulos visuais produzidos pelas luzes brilhantes e piscantes dos telões aumentam a sensibilidade de pessoas que já têm o cérebro hiperexcitado, característico da enxaqueca.
Alimentação influencia
Pular refeições ou se alimentar em horários irregulares, um hábito comum quando a atenção está voltada para os jogos, também pode favorecer o desencadeamento de crises. Outro fator importante é a desidratação, que pode ocorrer tanto pela ingestão insuficiente de água quanto pelo consumo de bebidas alcoólicas, frequentemente presentes em encontros e celebrações relacionados às partidas.
A neurologista Thais Villa, especialista no diagnóstico e tratamento da enxaqueca, explica que essas situações podem ser particularmente problemáticas para quem sofre com a doença, mesmo quando cada fator, isoladamente, não costuma ser suficiente para desencadear sintomas.
A médica destaca ainda um fenômeno conhecido como "dor de cabeça de fim de estresse" (let-down headache), em que as crises não surgem durante o período de maior tensão emocional, mas logo depois, quando ocorre uma queda dos níveis de excitação e alerta do organismo.
"É importante lembrar que os gatilhos variam bastante entre os indivíduos. O que desencadeia crises em uma pessoa pode não ter efeito em outra", ressalta.
Tem tratamento
A enxaqueca é uma condição neurológica complexa, incapacitante e muitas vezes invisível. Para milhões de pessoas no mundo, grandes eventos sempre foram sinônimo de risco, afastamento e limitação porque passaram a vida toda sem o diagnóstico e tratamento adequados. A enxaqueca não tem cura mas, controlada, possibilita ao paciente viver sem dores de cabeça e outros sintomas associados, ampliando, de forma significativa, a qualidade de vida.
Para o controle eficaz da doença, Thais recomenda uma abordagem multidisciplinar e integrada, que combina acompanhamento médico especializado com mudanças consistentes na rotina e no estilo de vida do paciente. "O Tratamento 360º, que respeita as particularidades de cada paciente e utiliza recursos modernos como a toxina botulínica, é o que há de mais moderno no manejo da enxaqueca. A aplicação da substância nos nervos envolvidos bloqueia a liberação de mediadores químicos responsáveis pela transmissão da dor e da inflamação, assim reduzindo a excitabilidade cerebral. Outro recurso são os anti-CGRP, medicamentos injetáveis com anticorpos monoclonais que têm se mostrado altamente eficazes no controle da doença", detalha a médica.
Por: Revista Malu

