Google atualiza Discover para priorizar conteúdo relevante
Uma mudança nos critérios que definem quais reportagens chegam ao público começou a ser implementada pela Google no Discover, feed de recomendações presente em celulares Android e em aplicativos da empresa. A atualização pretende ampliar a presença de conteúdos considerados relevantes e aprofundados, ao mesmo tempo em que limita materiais classificados como sensacionalistas.
O anúncio foi feito neste mês no blog Google Search Central. Segundo a companhia, avaliações internas apontaram que a nova experiência foi percebida como mais útil pelos usuários. A alteração envolve os sistemas responsáveis por selecionar e organizar os artigos exibidos.
Entre as principais diretrizes está a priorização de conteúdo local. Sites sediados no mesmo país do leitor tendem a ganhar maior visibilidade, enquanto publicações identificadas como clickbait devem aparecer com menor frequência. Reportagens originais e produzidas por veículos com reconhecimento em áreas específicas também passam a ter vantagem na distribuição.
A empresa afirmou que seus sistemas analisam a especialização de cada site individualmente. Na prática, organizações com reputação consolidada em determinados temas devem ocupar mais espaço no feed. Um portal pode ser visto como autoridade em economia ou jardinagem mesmo que trate de outros assuntos, mas textos isolados fora de sua linha editorial tendem a alcançar menos leitores.
Apesar dos ajustes, o Discover continuará baseado nas preferências e no histórico de interesse de cada usuário. A atualização começou a ser liberada para o público de língua inglesa nos Estados Unidos e deve chegar gradualmente a outros mercados. Ainda não há previsão oficial para o Brasil.
O Google alertou que mudanças desse tipo costumam provocar oscilações no tráfego dos sites. Parte dos veículos pode registrar crescimento de visitas, outros queda, enquanto muitos não devem notar diferenças relevantes.
O movimento ocorre em meio a transformações na forma como notícias são encontradas na internet, impulsionadas pelo avanço da inteligência artificial. Recursos que entregam respostas diretamente na página de resultados têm reduzido a necessidade de acessar links externos, fenômeno conhecido como zero clique.
Reportagem da Folha de S.Paulo apontou que o AI Overviews, ferramenta lançada pelo buscador em 2024 para gerar respostas automáticas, levou a uma retração de pelo menos 20,6 por cento no tráfego de sites jornalísticos, conforme estudo da Authoritas. Sem o recurso, o primeiro link de uma busca registrava taxa média de cliques de 21,4 por cento; com a funcionalidade, o índice caiu para 8,93 por cento.
A empresa sustenta que o volume total de cliques orgânicos permanece relativamente estável e afirma que a qualidade das visitas aumentou, medida pelo maior tempo de permanência nas páginas.
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