Procrastinação não é preguiça: entenda por que o cérebro prefere adiar tarefas difíceis

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Quarta, 20 de outubro de 2021, 16:15:21

Procrastinação não é preguiça: entenda por que o cérebro prefere adiar tarefas difíceis

Saúde - Procrastinação

Especialista explica por que adiar tarefas nem sempre é falta de disciplina e mostra caminhos práticos para sair da inércia

Uma pesquisa da consultoria Triad PS aponta que cerca de 70% dos brasileiros procrastinam com frequência. Já um levantamento nacional da plataforma Onlinecurrículo, feito com profissionais de diferentes regiões do país, mostrou que 38,4% das pessoas querem abandonar a procrastinação como hábito de trabalho, o principal item da lista de mudanças desejadas para a rotina profissional.

Os números escancaram um comportamento que atravessa gerações e profissões: adiar aquela tarefa importante até o último momento possível, mesmo sabendo que isso vai gerar mais estresse depois. Para quem vive essa rotina, a procrastinação costuma vir acompanhada de culpa e da sensação de que falta força de vontade, mas, segundo especialistas, a explicação é mais complexa do que isso.

"A procrastinação raramente é sobre preguiça. Na maioria das vezes, é sobre emoção. A pessoa adia porque a tarefa gera desconforto, medo de errar ou a sensação de que não vai dar conta", explica Cristiano Moreira, especialista em desenvolvimento comportamental e Programação Neurolinguística (PNL) da Dynamis Soluções. "O cérebro busca alívio imediato, e evitar a tarefa traz esse alívio a curto prazo, mesmo que o custo emocional depois seja maior".

De acordo com Moreira, tarefas complexas, desagradáveis ou que envolvem algum tipo de julgamento, como uma apresentação importante ou uma conversa difícil, ativam esse mecanismo de evitação com mais força. "Quanto maior a exigência percebida, maior a resistência para começar. E, curiosamente, quanto mais a pessoa adia, maior fica essa tarefa na cabeça dela, o que aumenta ainda mais a resistência", observa o especialista.

A boa notícia é que existem estratégias simples e acessíveis para reduzir esse ciclo, sem depender de força de vontade. "Não é sobre ter mais disciplina, é sobre reduzir o tamanho da barreira inicial. Quando a primeira ação é pequena o suficiente, o cérebro para de reagir como se fosse uma ameaça", afirma Moreira.

A primeira estratégia é dividir a tarefa em partes menores e mais concretas. Em vez de encarar "terminar o relatório" como um bloco único e intimidador, ele sugere transformar a meta em ações pequenas, como "abrir o documento" ou "escrever o primeiro parágrafo". "Quando a tarefa é grande demais, o cérebro reage com resistência antes mesmo de começar. Quebrar em pedaços menores muda essa percepção", explica.

Outro passo importante é definir um primeiro movimento simbólico, que exija pouco esforço e sirva apenas para destravar o início. Esse movimento não precisa levar mais do que alguns minutos, nem ficar preso a um horário vago como "ainda hoje": definir um momento específico do dia, mesmo que curto, já reduz bastante a margem para o adiamento. "O primeiro passo não precisa ser perfeito nem precisa ser grande. Ele só precisa existir", afirma.

Reduzir as distrações do ambiente antes de começar também ajuda. Guardar o celular, fechar abas desnecessárias e avisar as pessoas ao redor mantêm o foco nos primeiros minutos, que costumam ser os mais difíceis. Para o especialista, reconhecer o início da tarefa, e não apenas a sua conclusão, é o que rompe o ciclo da procrastinação. "Uma vez que a pessoa começa, a resistência inicial já foi vencida, e o restante costuma fluir com mais naturalidade", conclui Cristiano.

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