Menopausa pode afetar o cérebro e a memória? Neurologista explica os risco
A menopausa pode provocar uma série de sintomas, incluindo alterações que afetam o funcionamento do cérebro. Esquecimentos frequentes, dificuldade de concentração e raciocínio mais lento estão entre as queixas relatadas por mulheres durante essa fase da vida.
Em um episódio recente do podcast "Next Question with Katie Couric", a neurologista Rhonda Voskuhl, professora da Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA), explicou como a redução dos níveis de estrogênio pode influenciar a memória e outras funções cognitivas.
Segundo a especialista, o corpo feminino possui receptores de estrogênio em diferentes órgãos, incluindo o cérebro. O hormônio desempenha funções importantes na manutenção da saúde da pele, dos ossos, do coração e do sistema nervoso.
Quando os níveis de estrogênio diminuem durante a transição para a menopausa, geralmente entre os 45 e 55 anos, algumas regiões cerebrais podem apresentar alterações estruturais e funcionais.
É nesse período que muitas mulheres começam a perceber a chamada "névoa mental", expressão utilizada para descrever dificuldades de memória, atenção e concentração.
Como a menopausa afeta a memória?
De acordo com Voskuhl, a redução do estrogênio pode comprometer funções específicas do cérebro, como a memória de trabalho, responsável por manter informações temporariamente, a memória verbal e a velocidade de processamento das informações.
A neurologista explica que a ausência do hormônio pode desencadear uma série de alterações nas conexões entre as células nervosas.
"As células daquela área da memória não estão sendo sustentadas [pelo estrogênio] e, por sua vez, não estão sustentando as células nervosas que fazem as conexões", afirmou.
Essas mudanças podem ajudar a explicar por que algumas mulheres relatam dificuldade para lembrar palavras, acompanhar conversas ou realizar tarefas que exigem concentração.
Isso não significa, porém, que todas as mulheres terão problemas cognitivos durante a menopausa ou que essas alterações representem necessariamente o desenvolvimento de demência.
Reposição hormonal pode proteger o cérebro?
A especialista também abordou o uso de estrogênio para aliviar sintomas da menopausa, como ondas de calor.
Segundo Voskuhl, embora a terapia hormonal possa trazer benefícios para determinadas mulheres, ainda são necessárias pesquisas para desenvolver tratamentos que atuem especificamente na proteção cerebral, com menos riscos associados.
"O problema é que ainda estamos falando de estradiol de 30 anos atrás", afirmou.
"Precisamos de estrogênios que atuem na saúde cerebral, que sejam toleráveis e que não tenham tantos efeitos nocivos da coagulação, nos seios e assim por diante", acrescentou.
Atualmente, a terapia hormonal não é recomendada exclusivamente para prevenir demência ou declínio cognitivo. Sua indicação depende da avaliação individual dos sintomas, do histórico de saúde e dos possíveis riscos e benefícios.
Exercício físico pode ajudar a proteger o cérebro
Para mulheres que não podem utilizar estrogênio, Voskuhl destaca uma medida que pode contribuir para a saúde cerebral: a prática regular de atividade física.
"A melhor coisa que se pode fazer, na minha opinião, é exercício físico", afirmou.
A neurologista explica que a atividade física pode beneficiar o cérebro de duas maneiras: melhorando a saúde cardiovascular e estimulando mecanismos biológicos associados à proteção das células nervosas.
Segundo ela, o exercício é particularmente importante diante dos principais tipos de demência, incluindo a doença de Alzheimer, a demência vascular e os quadros mistos.
"Quando pensamos nesses três [tipos de demência], é muito importante fazer exercício, porque pode ter um efeito positivo no sistema cardiovascular", explicou.
A prática regular ajuda a reduzir fatores de risco cardiovasculares, como hipertensão e aterosclerose, condição caracterizada pelo acúmulo de placas nas artérias.
Com vasos sanguíneos mais saudáveis, a circulação de sangue e o fornecimento de oxigênio ao cérebro também são favorecidos.
Qual é o melhor exercício para a saúde cerebral?
Além dos benefícios cardiovasculares, a atividade física estimula a produção de uma proteína conhecida como fator neurotrófico derivado do cérebro (BDNF), importante para a sobrevivência dos neurônios e para processos relacionados à aprendizagem e à memória.
"Um efeito direto e realmente interessante do exercício é que o cérebro [e os músculos] produzem um fator, o fator neurotrófico derivado do cérebro, que é protetor para o cérebro", afirmou Voskuhl.
"Portanto, o exercício físico pode ajudar o cérebro tanto indiretamente, através do seu efeito na redução de problemas cardiovasculares, como diretamente. Isso é realmente incrível. Por isso, precisamos de exercício físico", acrescentou.
Entre as atividades recomendadas pela neurologista estão os exercícios aeróbicos, também conhecidos como cardiovasculares, que aumentam a frequência cardíaca.
"Três vezes por semana, 30 minutos de exercícios cardiovasculares, elevando a frequência cardíaca", aconselhou.
Caminhadas rápidas, ciclismo, natação e dança são exemplos de atividades que podem contribuir para a saúde cardiovascular e cerebral.
A especialista também recomenda exercícios cognitivos que desafiem a memória verbal, a concentração e a velocidade de processamento, ajudando a manter o cérebro ativo durante o envelhecimento.
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