Facebook e Instagram são feitos com 'design viciante' para aumentar tempo de tela, diz estudo

Portal SBN
Quarta, 20 de outubro de 2021, 16:15:21

Facebook e Instagram são feitos com 'design viciante' para aumentar tempo de tela, diz estudo

Tecnologia - Aplicativo

Muito provavelmente você já é uma pessoa viciada em redes sociais. Se passa horas, quase sem perceber, deslizando a tela do celular ou assistindo a um vídeo após o outro por longos períodos do dia — antes de dormir, no banheiro ou até mesmo durante o trabalho —, é possível que você sofra de dependência dessas plataformas. Essa é a conclusão de estudos científicos e sociológicos conduzidos pela União Europeia, que acaba de alertar a Meta, empresa proprietária do Facebook, Instagram e WhatsApp, de que precisa modificar seriamente o design de seus sistemas para evitar que as pessoas se tornem dependentes de suas plataformas.

A Comissão Europeia concluiu, de forma preliminar, que a Meta descumpre a Lei de Serviços Digitais (Digital Services Act – DSA) ao utilizar um "design viciante" em suas plataformas. Após uma investigação formal, as autoridades europeias concluíram que a arquitetura atual desses aplicativos incentiva o uso compulsivo.

O relatório afirma que recursos como a rolagem infinita (infinite scroll) e os algoritmos de recomendação altamente personalizados dos Reels e dos Stories estimulam um "modo de piloto automático" no cérebro. Segundo o documento, as empresas de tecnologia conhecem os efeitos que esses mecanismos causam na saúde mental dos usuários e os utilizam para manter o nível de atenção necessário para monetizar seus negócios.

Quanto mais tempo as pessoas permanecem diante da tela, mais anúncios podem ser exibidos e, consequentemente, mais as plataformas podem cobrar das marcas anunciantes. Em outras palavras, conclui o relatório, essas empresas enriquecem vendendo a dependência de seus próprios usuários.

Os estudos da Comissão Europeia indicam que esse design viciante do Facebook e do Instagram representa riscos diretos ao bem-estar físico e mental, especialmente de crianças, adolescentes e adultos mais vulneráveis, que encontram mais dificuldade para interromper o uso das plataformas.

Para mudar esse cenário, o órgão regulador propõe alterações estruturais. Entre elas estão a eliminação da rolagem infinita como configuração padrão e a adoção de pausas obrigatórias realmente eficazes, que impeçam o usuário de consumir conteúdo de forma ininterrupta.

Representantes da Meta afirmaram que o documento não avalia de maneira adequada as ferramentas de proteção implementadas recentemente, como as Contas para Adolescentes, os limites de tempo de tela e as restrições de uso durante a noite. No entanto, os reguladores europeus sustentam que essas medidas são insuficientes, podem ser facilmente contornadas e, além disso, os controles parentais exigem um nível de conhecimento técnico que muitos pais e responsáveis não possuem.

Caso a Meta se recuse a cumprir as exigências, poderá enfrentar multas bilionárias de até 6% de sua receita anual global. A empresa, comandada por Mark Zuckerberg, rejeitou as conclusões do relatório.

Na Colômbia, existem iniciativas da Comissão de Regulação das Comunicações voltadas à proteção de crianças e adolescentes contra a dependência das redes sociais. Entretanto, representantes do órgão reconhecem que o poder de influência de multinacionais como a Meta tem dificultado o avanço, no Congresso colombiano, de propostas legislativas que estabeleçam mecanismos efetivos de controle.

Se você acredita que tem problemas de atenção relacionados ao uso das redes sociais, há formas de começar a controlá-los. Especialistas recomendam que crianças e adolescentes não utilizem redes sociais e que pessoas que reconheçam ter desenvolvido dependência dessas plataformas procurem ajuda profissional.

Caso a Meta se recuse a cumprir as exigências, poderá enfrentar multas bilionárias de até 6% de sua receita anual global. A empresa, comandada por Mark Zuckerberg, rejeitou as conclusões do relatório.

Como evitar a dependência das redes sociais?
 
Defina limites de uso: ative o recurso Bem-estar Digital no Android ou Tempo de Uso no iPhone (iOS) e estabeleça um limite diário rigoroso para aplicativos como Facebook e Instagram.

Desinstale os aplicativos: se a dependência for mais grave, remover Instagram, Facebook e TikTok do celular, aliado ao acompanhamento terapêutico, pode ajudar significativamente.

Desative as notificações: elas funcionam como um dos principais gatilhos para quem é dependente, atraindo constantemente a atenção para a tela.

Use a tela em escala de cinza: configurar o celular para exibir apenas tons de cinza reduz o impacto visual das notificações e pode diminuir a necessidade de verificar o aparelho repetidamente.

Ative os recursos de controle das próprias plataformas: Facebook, Instagram e outras redes oferecem ferramentas de gerenciamento de tempo de uso e bem-estar digital que podem ser um primeiro passo para reduzir a necessidade constante de acessá-las.

Por El Tiempo, José Carlos García Rico
 
 


 

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