CBF projeta liga nacional para 2030 e amplia debate com clubes
A criação de uma liga unificada no futebol brasileiro foi novamente adiada e agora tem previsão para sair do papel apenas em 2030.
A definição foi apresentada pela Confederação Brasileira de Futebol durante reunião com representantes de 38 dos 40 clubes das Séries A e B, nesta segunda-feira (06/04/2026), no Rio de Janeiro. O encontro marcou a apresentação de um diagnóstico interno sobre o cenário atual do Campeonato Brasileiro e abriu espaço para discussão de mudanças estruturais.
O atraso está ligado, principalmente, a dois fatores. De um lado, os contratos de direitos de transmissão firmados por clubes organizados em blocos distintos seguem válidos até 2029. De outro, a entidade pretende reorganizar o modelo antes de avançar na comercialização, priorizando ajustes no próprio produto esportivo.
O levantamento comparou o Brasileirão a ligas como a Premier League, a La Liga e a Bundesliga. Em dez critérios analisados, o campeonato nacional não atingiu desempenho máximo em nenhum deles e ficou atrás das ligas europeias em todos os pontos, com exceção do tempo de bola em jogo, onde houve empate com o torneio espanhol.
Entre os principais gargalos identificados estão calendário, segurança nos estádios, infraestrutura, transmissão, presença de público, marketing, uso de redes sociais, formação de atletas, governança e sustentabilidade financeira.
A diferença de alcance internacional também foi destacada. Enquanto o Brasileirão é transmitido para cerca de 20 países, a liga inglesa chega a aproximadamente 200 mercados, o que se reflete diretamente na arrecadação dos clubes.
Dados apresentados pela entidade indicam que equipes da Premier League movimentaram cerca de 7,5 bilhões de euros na última temporada, valor significativamente superior ao registrado no Brasil, estimado em 1,8 bilhão de euros. Campeonatos da Espanha e da Alemanha também aparecem à frente em receitas.
Questões relacionadas à experiência do torcedor foram outro ponto abordado. Pesquisas indicam que a percepção de insegurança ainda afasta parte do público dos estádios, com cerca de um quarto dos entrevistados apontando o ambiente como inadequado para famílias. A entidade defende maior participação dos clubes na gestão da segurança.
A distribuição dos jogos ao longo da semana também entrou na pauta. O modelo atual, com partidas concentradas em horários noturnos e sobreposição de confrontos, é visto como fator que dificulta o acompanhamento das rodadas.
Durante o encontro, o presidente da CBF, Samir Xaud, indicou que a entidade pretende atuar diretamente na construção da liga, não apenas como mediadora, mas também com papel de articulação junto aos clubes.
O plano apresentado prevê três etapas. A primeira, ainda em 2026, foca em ajustes no formato do campeonato e em aspectos estruturais. A segunda, prevista para 2027, trata da comercialização e dos direitos de transmissão a partir de 2030. A fase final aborda questões administrativas e de governança.
Apesar do prazo mais longo para a criação formal da liga, a expectativa é que parte das mudanças seja implementada gradualmente nos próximos anos, antes da consolidação do novo modelo.
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