Braskem diz que vai pedir recuperação extrajudicial por dívida de R$ 56 bi
A Braskem, uma das maiores petroquímicas do país, anunciou nesta segunda-feira (24/8) que vai pedir recuperação extrajudicial para reestruturar cerca de US$ 10,9 bilhões em dívidas, o equivalente a aproximadamente R$ 56 bilhões.
O Conselho de Administração da companhia aprovou a medida, mas o pedido ainda não foi protocolado na Justiça.
No comunicado divulgado nesta segunda-feira, a Braskem afirmou que a recuperação extrajudicial ficará restrita às dívidas financeiras e não afetará as obrigações com fornecedores e clientes. Segundo a empresa, esses compromissos continuam sendo cumpridos normalmente.
"A Braskem esclarece que a Recuperação Extrajudicial possui escopo limitado, estritamente financeiro, e não abrange quaisquer obrigações da Companhia com seus fornecedores, clientes e demais stakeholders, as quais permanecem vigentes e seguem sendo cumpridas normalmente, nos termos dos respectivos contratos", diz a empresa, em nota.
Ao protocolar oficialmente o pedido de recuperação extrajudicial, a Braskem firmará um acordo com os credores para reorganizar as dívidas, incluindo novos prazos e condições de pagamento.
Na recuperação extrajudicial, a empresa negocia diretamente com seus credores uma forma de reorganizar as dívidas e depois leva o acordo à Justiça para homologação. É diferente da recuperação judicial, que envolve um processo mais amplo na Justiça. O acordo pode prever, por exemplo, mais prazo para pagar as dívidas ou um período sem pagamentos. Nos dois casos, o objetivo é evitar a falência e dar condições para que a empresa continue funcionando.
A decisão já era esperada pelo mercado. Na última sexta-feira (21), a Braskem informou ter mais de US$ 10 bilhões (cerca de R$ 54 bilhões na cotação atual) em dívidas incluídas na reestruturação.
A companhia informou que vinha avaliando medidas para se proteger de eventuais cobranças dos credores. Afirmou ainda que as conversas haviam se intensificado e que avaliava diferentes alternativas para reorganizar suas dívidas financeiras.
Boa parte da dívida da Braskem está em títulos emitidos no exterior. Na prática, são recursos que a empresa tomou emprestados de investidores e que precisam ser pagos nas condições estabelecidas na emissão.
A Braskem também pediu reestruturação de sua subsidiária no México, a Braskem Idesa, que entrou com pedido de recuperação judicial nos Estados Unidos pelo Chapter 11. O mecanismo permite que empresas continuem operando enquanto renegociam suas dívidas sob supervisão da Justiça.
O plano prevê um aporte de US$ 476 milhões da Braskem para manter o controle da subsidiária.
O que é a Braskem
A Braskem é uma das maiores empresas petroquímicas brasileiras. Foi criada em 2002 a partir da integração de ativos da antiga Odebrecht, hoje Novonor, e do Grupo Mariani.
A companhia produz resinas plásticas, como polietileno, polipropileno e PVC, usadas na fabricação de embalagens, peças, tubos e diversos produtos do dia a dia.
Também produz insumos químicos, como eteno e propeno, usados por outras indústrias na fabricação de diferentes materiais.
A empresa tem operações em países como Estados Unidos, Alemanha e México e tem a Petrobras como uma de suas principais acionistas.
A IG4 Capital adquiriu recentemente a participação da Novonor (ex-Odebrecht) na petroquímica. A Braskem enfrenta uma longa fase de dificuldades no setor e pode levar anos para superar os desafios herdados da gestão anterior, segundo a agência de notícias.
Além dos preços baixos no setor petroquímico, o caixa da Braskem foi pressionado pelos custos relacionados ao desastre provocado pela exploração de minas de sal em Alagoas. O caso causou o afundamento do solo em bairros de Maceió e levou à remoção de milhares de moradores.
POR G1

