Siga-nos

Reunião de empresários para convencer empregados a votar em Bolsonaro é investigada

Reunião de empresários para convencer empregados a votar em Bolsonaro é investigada
15 outubro 11:27 2022 Imprimir notícia

O Ministério Público do Trabalho em Santa Catarina (MPT-SC) informou que investiga o teor de áudios registrados em uma reunião na Associação Empresarial de Caçador (Acic), no Oeste catarinense, onde empresários discutem formas de convencer trabalhadores do município a votarem no candidato à reeleição para a presidência da República, Jair Bolsonaro (PL).

O MPT confirmou que o caso é investigado pela Procuradoria do Município de Joaçaba como suposto assédio eleitoral cometido por entidades empresariais.

A gravação ganhou repercussão após reportagem da Revista Fórum, publicada em 13 de outubro, da qual o g1 SC teve acesso nesta sexta-feira (14). O áudio foi confirmado à reportagem pelo MPT-SC.

A prática de assédio eleitoral é considerada crime e ocorre quando um empregador age para coagir, ameaçar ou promete benefícios para que alguém vote em determinado candidato.

O encontro na Acic teria acontecido nesta semana, segundo o MPT-SC. Os áudios analisados revelam a introdução ao encontro pelo atual presidente, Jovelci Gomes, que afirmou em discurso que, caso o candidato adversário à presidência vença a eleição, o "direito de ir e vir vai acabar" e o "direito de propriedade vai acabar".

"Temos uma segunda chance que é agora, dia 30, de ganhar. E, para ganhar, nós temos que trabalhar, porque o outro lado é organizado", comentou.

Questionada pela g1 SC, a Acic disse que desconhece os áudios e que não irá se pronunciar no momento.

Em Caçador, Jair Bolsonaro (PL), teve 51,76% dos votos para a Presidência (20.720 votos), enquanto Lula foi a escolha de 40,01% dos eleitores (16.019 votos).

Um dos focos dos empresários, conforme o áudio, é alcançar os eleitores que não compareceram às urnas no primeiro turno do pleito. A eleição em Caçador (SC) teve 22,34% de abstenção.

Discurso

No discurso, o presidente da entidade também sugeriu aos presentes que as urnas não são confiáveis. "Quando bati 22 [na urna], o presidente Bolsonaro não apareceu. Tive que bater mais uma vez para vir o presidente. Muitas pessoas bateram assim e foram embora", afirmou.

Segundo o Tribunal Regional Eleitoral (TRE), não existem registros de problemas relacionados a fotos de candidatos que não apareceram após digitar o voto.

Ao g1 SC, o órgão também afirmou que, em 2018, 600 manifestações de eleitores foram investigadas e nenhuma inconsistência foi encontrada.

Estratégia

Durante a reunião, entidades empresariais revezaram a fala e discutiram estratégias para "virar o voto" dos trabalhadores do município. Um dos homens a discursar conclamou que "todo empresário deve pedir o voto para os seus colaboradores. Isso tem uma força enorme e já é tradição aqui no município de Caçador".

Outra pessoa presente no local explicou que o foco é "tirar votos do PT e partir para nós".

Assédio Eleitoral em Santa Catarina

O MPT informou ainda que até as 14h desta sexta-feira (14) recebeu 299 denúncias de assédio eleitoral de empresas contra funcionários em todo o país, das quais 44 delas em Santa Catarina.

O assédio eleitoral é crime e ocorre quando um empregador age para coagir, ameaçar ou promete benefícios para que alguém vote em determinado candidato.

PORTAL SBN

Deixe seu comentário

Leia também

Destaques

Posts mais visitados no mês 06/2026

Nenhum post para este mês "06/2026"

Siga-nos no Fecebook