Caroço no pescoço ou na axila: quando pode ser sinal de linfoma?
Encontrar um caroço no pescoço, na axila ou na virilha pode causar preocupação, principalmente quando ele aparece sem uma causa aparente. Na maioria das vezes, porém, o aumento dos gânglios linfáticos, também chamados de linfonodos, está relacionado a infecções ou processos inflamatórios e não significa câncer. Ainda assim, quando o aumento persiste, cresce progressivamente ou vem acompanhado de outros sintomas, é importante procurar avaliação médica.
Uma das doenças que pode se manifestar por meio do aumento dos linfonodos é o linfoma, um tipo de câncer que se origina no sistema linfático. Existem dois grandes grupos: o linfoma de Hodgkin e os linfomas não Hodgkin, que reúnem dezenas de diferentes subtipos, com comportamentos e tratamentos distintos.
Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), são estimados 12.560 novos casos de linfoma não Hodgkin por ano no Brasil no triênio 2026-2028, sendo 6.580 em homens e 5.980 em mulheres. Para o linfoma de Hodgkin, a estimativa é de 3.070 novos casos por ano no mesmo período.
NEM TODO CAROÇO É LINFOMA - Os linfonodos fazem parte do sistema de defesa do organismo. Quando existe uma infecção, como uma gripe, dor de garganta, infecção dentária ou outro processo inflamatório, eles podem aumentar de tamanho como parte da resposta imunológica. Esses gânglios reacionais costumam diminuir depois que a causa é resolvida.
"É importante lembrar que encontrar um gânglio aumentado não significa, por si só, que a pessoa tenha linfoma. Infecções são causas muito mais frequentes de aumento dos linfonodos. O que chama a nossa atenção é principalmente a persistência do aumento, o crescimento progressivo e a associação com outros sintomas", explica Marcelo Aduan, hematologista e coordenador do serviço de Onco-hematologia e Transplante de Medula Óssea do Hospital Santa Rita.
Em casos de linfoma, segundo o médico, o aumento dos linfonodos costuma ser indolor e pode ser percebido no pescoço, nas axilas ou na região da virilha. No entanto, somente as características do caroço não são suficientes para determinar a causa. Entre os sinais que merecem atenção estão o aumento persistente dos gânglios, gânglio geralmente indolor e de consistência mais endurecida, surgimento de gânglios aumentados em diferentes regiões do corpo, febre sem causa aparente ou que persiste, suor noturno intenso, a ponto de molhar roupas ou roupa de cama, perda de peso sem explicação, cansaço contínuo, coceira generalizada, além da sensação de pressão ou aumento do volume abdominal, em alguns casos.
“Esses sinais são conhecidos como sintomas sistêmicos e podem aparecer em alguns pacientes com linfoma. Entretanto, eles também podem ocorrer em diversas outras doenças e, isoladamente, não significam que a pessoa tenha câncer. Um dos pontos mais importantes é observar a evolução”, explica Marcelo Aduan.
De acordo com o hematologista do Hospital Santa Rita, quando o paciente suspeita de algo anormal, o processo de investigação começa pela história clínica e pelo exame físico. “Nós verificamos há quanto tempo o gânglio está aumentado, se existem outros linfonodos, sua localização, tamanho e características, além de investigar sintomas associados e possíveis infecções recentes. Dependendo da avaliação, podem ser solicitados exames de sangue e de imagem, como ultrassonografia ou tomografia. Quando existe suspeita de linfoma, entretanto, a confirmação depende da análise do tecido.
“A biópsia é um dos principais exames para estabelecer o diagnóstico e identificar o subtipo do linfoma. A análise pode envolver avaliação morfológica, imunohistoquímica e, em situações específicas, exames complementares”, pontua o especialista.
"Não existe um exame de sangue isolado que confirme ou descarte todos os tipos de linfoma. Quando há uma suspeita consistente, precisamos estudar o gânglio ou outro tecido adequado para identificar exatamente qual doença está presente. Isso é fundamental porque os linfomas não são todos iguais e o tratamento depende do subtipo e do estágio", afirma o hematologista.
Segundo Marcelo Aduan, como os linfomas apresentam comportamentos muito diferentes - alguns crescem lentamente e podem ser acompanhados inicialmente, enquanto outros são mais agressivos e precisam de tratamento rápido -, a avaliação médica é importante mesmo quando os sintomas parecem discretos.
TRATAMENTOS - O hematologista e professor do Unesc, Mateus Alvarenga Malacarne, enfatiza que hoje a medicina disponibiliza um amplo arsenal para tratar os linfomas. “A escolha da estratégia depende do subtipo da doença e pode incluir quimioterapia, imunoterapia e medicamentos direcionados a alterações específicas da própria doença. Nos casos de recaída ou de resistência ao tratamento inicial, também estão disponíveis opções mais modernas, como as terapias celulares, a exemplo do CAR-T, e os anticorpos biespecíficos, que aproximam as células de defesa das células do linfoma e favorecem sua eliminação. Muitos linfomas apresentam altas taxas de resposta e, em diversas situações, podem ser curados. Por isso, identificar corretamente o subtipo é fundamental para definir o tratamento mais adequado para cada paciente”, afirma o especialista.
Em relação à evolução dos tratamentos, o hematologista Marcelo Aduan, diz que o Hospital Santa Rita possui muito mais opções terapêuticas do que existia no passado. Ele acrescenta que o Serviço de Onco-Hematologia da instituição tem mais de 40 anos de história e o de Transplante de Medula Óssea vai completar 18 anos. “Evoluímos muito nessa trajetória. E, para completar, ainda temos uma atuação em pesquisa clínica e estamos participando de vários estudos mundiais desde 2023, sendo alguns direcionados ao tratamento de linfomas”, comemora o médico.
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