Thays ficou sabendo que os filhos tinham sido encontrados mortos pela avó das crianças. Segundo ela, nos dias que antecederam o crime David apresentava comportamento normal e não havia feito nenhuma ameaça a ela.
"Ele tava normal, ele não demonstrou raiva, ódio, não demonstrou que pudesse fazer alguma coisa com as crianças. Ele não demonstrou em momento algum", relembra a mãe das vítimas.
A mulher conta que quando foi agredida pelo ex tentou estender a proteção aos filhos, mas teve o pedido negado. Segundo ela, em razão de as crianças não terem presenciado a violência contra a mãe. Elas estavam com a avó no dia da agressão.
"Quando eu cheguei, ele tava alterado, ele tava embriagado, aí a gente discutiu e ele veio pra cima de mim, me bateu. Ao todo, foram 20 socos na cabeça, que eram pra ser no rosto. Ele tentou me puxar pra baixo, me pegou pela nuca, mas eu não deixei ele me levar ao chão. Se ele tivesse me levado ao chão, ele teria feito coisa pior", relembra Thays.
Segundo Thays, David tinha boa relação com os filhos até então, especialmente com a caçula Kimberly, de três anos. A mãe afirma que jamais imaginou que o ex pudesse fazer mal às crianças.
David da Silva Lemos está preso desde a madrugada do dia 14. Ele foi encontrado em um hotel de Porto Alegre. A Defensoria Pública do Estado, que representa David, disse que a instituição irá se manifestar somente nos autos do processo.
Avô relata dor
"Destroçado". É desta forma que Jardelino Antunes Júnior afirma que se sente após perder quatro netos. O avô das crianças encontradas mortas conta que tem procurado encontrar forças para amparar a filha.
"Ela já não dorme mais, só no remédio. Ela dorme no meu quarto, junto comigo e com a minha esposa, eu tenho que segurar a mão dela", relata.
Jardelino falou que Thays estava prestes a realizar o sonho de morar na casa própria com os netos. A montagem do imóvel estava prevista para o mesmo dia em que ocorreu o crime.
"Ela comprou um terreninho, a patroa dela conseguiu um empréstimo para ela, para comprar uma casinha de madeira, eu ia começar a montagem da casinha na terça-feira, quando se deu tudo isso. A casinha dela tá lá, desmontada, esperando ser montada. As crianças eram loucas para entrar", emociona-se o homem.
As crianças foram encontradas mortas na casa onde estavam com o pai em Alvorada por volta das 19h30 de 13 de dezembro, quando familiares acionaram a polícia. O homem já havia deixado o local, mas foi encontrado no dia 14 em um hotel na capital, Porto Alegre.
As vítimas são os irmãos Yasmin Antunes Lemos, de 11 anos; Donavan Antunes Lemos, de 8 anos; Giovanna Antunes Lemos, de 6 anos; e Kimberlly Antunes Lemos, de 3 anos.
Segundo a polícia, ao ser preso, o homem disse que cometeu o crime e que deu calmante às crianças antes da morte. No entanto, na delegacia, durante o depoimento e acompanhado de um defensor público, permaneceu em silêncio.
A principal suspeita da polícia é de que o homem tenha cometido o crime como forma de vingança contra a ex, com quem tinha uma relação conturbada. Na tarde de terça-feira, pouco antes da hora que a perícia apontou ter sido a da morte das crianças, o homem mandou mensagens a ex com ameaças.
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