A riqueza por trás da memória

Portal SBN
Quarta, 20 de outubro de 2021, 16:15:21

A riqueza por trás da memória

Motivacional - Lembranças

Algo espetacular em nossas vidas se chama memória. É ela que nos viabiliza viver, em tempo simultâneo, o ontem e o hoje.

É maravilhosa essa possibilidade que nos permite viajar pelo tempo, em velocidade mais rápida que o som.

Vamos ao passado, ao vivido para tornar a nos emocionarmos, relembrando tempos em que amores estavam conosco.

E, o mais importante, recordar suas falas, seus risos, que ilustraram nossos dias da infância, da adolescência.

Um ontem vivido em todas as suas nuances. Dias em que as dificuldades eram muito grandes.

Criança, cedo nos demos conta de que éramos diferente das colegas que frequentavam nossa mesma classe escolar.

O uniforme nos igualava. Contudo, bastava que a hora do recreio nos reunisse e podíamos distinguir a diferença nos lanches.

Com nosso paladar faminto de sabores diversos do nosso pão com marmelada feita em casa, com os frutos do próprio quintal, devorávamos com o olhar cada bocado daqueles itens deliciosos.

Eram coloridos, vistosos, uns sanduíches com mais de uma camada, bolos recheados de creme e chocolate, cerejas, pêssegos.

Tudo o que não tínhamos.

Contudo, bastava adentrarmos nossa casa, para penetrar um mundo diverso. Um mundo com um quintal enorme, onde se multiplicavam as árvores frutíferas.

Árvores que escalávamos todos os dias, para saborear os frutos que ofereciam: ameixas amarelas, deliciosas; laranjas e mimosas; caqui chocolate.

Também andávamos debaixo das vinhas bem cuidadas pelo nosso avô, para beliscar os cachos das tantas espécies de uva: rosada, branca, negra, grãos graúdos, grãos miúdos.

Nosso desafio era o abacateiro. Difícil de escalar. Os galhos estavam mais acima, como se quisessem se preservar das nossas peraltices de confiscar seus frutos.

Hora das refeições era na mesa enorme da cozinha. De mãos lavadas, postura correta na cadeira de palha, lá estavam os avós, os pais, os irmãos.

Como era generosa a refeição, com tantos à mesa, querendo se servir ao mesmo tempo, falando ao mesmo tempo.

Hoje, quando escuto a passarada na árvore defronte à minha casa, não posso me furtar a pensar: Parece a minha família, em anos passados, quando ainda estávamos todos do lado de cá.

Detalhes importantes em nossa infância/adolescência foram a biblioteca da escola e a da cidade.

Os livros eram nosso tesouro. Com alegria, recordamos que quando descobrimos o enigma das letras, passamos a desejar livros, muitos livros.

Num trato muito especial, tínhamos autorização para comprar um exemplar por mês. Verdade que nem sempre era aquele que desejávamos pois tínhamos um limite de valor.

Conservamos, ainda, em nossa biblioteca, espalhada em prateleiras, armários, mesas, aqueles livros adquiridos, com sacrifício da economia doméstica mensal.

Itens de inestimável valor. Pelo conteúdo, pelo que significam de renúncia de quem no-los ofereceu.

Então somos só gratidão. Gratidão pela vida, pelos desafios compartilhados, pelos afetos vivenciados, que hoje, da Espiritualidade, nos aguardam a chegada.

Abençoada memória que nos permite as viagens no tempo...

Redação do Momento Espírita
Em 21.3.2025

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