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Tragédia na BR-101: Laudo emitido pelo Departamento Médico Legal, confirma que motorista usou rebite e cocaína

Tragédia na BR-101: Laudo emitido pelo Departamento Médico Legal, confirma que motorista usou rebite e cocaína
27 julho 12:16 2019 Imprimir notícia
Trânsito

Um laudo emitido pelo Departamento Médico Legal (DML), que consta na denúncia do Ministério Público Estadual (MP-ES), aponta que o motorista Rodrigo Girardi Supelete, de 27 anos, fez uso de cocaína, álcool e rebite. Ele dirigia a carreta que matou uma família inteira, na BR-101, na Serra, na noite do último dia 10 de junho.

O veículo tombou e um bloco de granito se desprendeu, deslizou na pista e bateu de frente com o Cerato branco que levava a família.

Morreram na hora a corretora de seguros Danielli Martins, 34, o marido dela, o comerciante Ozineto Francisco Rodrigues, 38, e o filho mais novo do casal, Lucca Martins Rodrigues, 1 ano e 4 meses.
O outro filho, Gabriel Martins Rodrigues, de 11 anos, morreu no hospital, dias depois.

O exame de Rodrigo apontou cinco substâncias em seu organismo: clobenzorex, anfetamina, cocaína, cocaetileno e benzoilecgonina. As substâncias anfetamina e clobenzorex são conhecidas como rebite, usado por alguns motoristas profissionais para se manterem acordados.

O cocaetileno é uma substância formada no fígado, resultado da metabolização de álcool e cocaína juntos. Já a benzoilecgonina é outro indicativo do uso de cocaína.

O laudo é uma das evidências que sustenta a denúncia apresentada pelo Ministério Público Estadual (MP-ES), na última terça-feira, contra o motorista Rodrigo e o empresário Emmanuel Bersacola de Assis Costa, 37, dono da carreta.

No texto apresentado à Justiça, o MP pede que os dois sejam levados a júri popular por quatro homicídios dolosos (quando há intenção de matar).

A denúncia afirma que os acusados assumiram o risco de causar a morte da família, por isso, os homicídios foram dolosos. O Ministério Público destaca ainda que Rodrigo estava com o certificado do curso para o transporte de carga indivisível (neste caso, o bloco de rocha) vencido.

O documento, que deve constar na Carteira Nacional de Habilitação (CNH), é o que habilita o motorista a conduzir veículo com esse tipo de carga.

Médico explica efeitos no organismo

O médico nefrologista e PhD em dependência química João Chequer explicou como as substâncias encontradas no organismo do motorista da carreta Rodrigo Girardi Supelete, 27 anos, que constam no laudo do Departamento Médico Legal (DML) de Vitória, agem no corpo humano.

Chequer disse que a anfetamina é um estimulante e o clobenzorex é um inibidor de apetite, que também funciona como estimulante. A mistura é considerada uma “bomba-relógio”.

“Essas substâncias tiram o sono e mantêm a pessoa alerta. Mas o motorista perde completamente o domínio sobre si mesmo. Chega um momento em que a pessoa pensa que está acordada, mas, na verdade, não está mais acordada, ela está apenas com olhos abertos”, explicou o especialista.

A mistura de álcool e cocaína – também apontada no exame de Rodrigo –, causa lentidão nos reflexos, o que afeta diretamente a capacidade de dirigir. A cocaína sozinha, segundo o médico, pode manter uma pessoa acordada por dias. Já o álcool teria um efeito sedativo.

“Usam a cocaína como estimulante e o álcool para sedar. Como resultado, o motorista não vai fazer uma curva bem feita ou frear na hora certa”, afirma Chequer.

O exame de Rodrigo foi feito a partir da análise dos pelos dele, dois dias após o acidente na BR-101, na Serra. O resultado desse exame, segundo Chequer, aponta o uso de drogas no período de até 90 dias antes da coleta dos pelos.

Segundo o Ministério Público Estadual (MP-ES), o motorista só se apresentou à polícia após o prazo hábil para realização de exame de urina, o que comprovaria, segundo Chequer, o uso de drogas em um período mais curto, de 48 horas antes da coleta do material.

Alta velocidade constatada durante as investigações

O motorista Rodrigo Girardi Supelete, de 27 anos, dirigia em alta velocidade no momento do acidente que matou quatro pessoas da mesma família na BR-101, na Serra, no último dia 10 de junho.

Segundo o Ministério Público Estadual (MP-ES), laudo anexado ao processo comprova que Rodrigo dirigia acima da velocidade máxima permitida na rodovia.

Sobre Emmanuel Bersacola de Assis Costa, de 37 anos, dono da empresa responsável pela carreta conduzida por Rodrigo, a denúncia afirma que o empresário assumiu o risco de causar a morte das vítimas, porque o veículo estava em situação irregular.

Segundo o texto, Emmanuel usou de meios fraudulentos para retirar uma restrição que impedia o veículo de circular.

Na denúncia, o MP-ES diz que a carreta se envolveu em um acidente no dia 24 de abril de 2018 e que, para voltar a circular, deveria passar por vistoria em uma Instituição Técnica Licenciada (ITL), para a obter o Certificado de Segurança Veicular (CSV).

“Ocorre que o denunciado Emmanuel, utilizando-se de meios fraudulentos, obteve a retirada da restrição do veículo, colocando o caminhão e o semirreboque, com situação irregular, em circulação viária para transporte de rochas ornamentais, de várias toneladas. Aliado a isso, o denunciado Emmanuel contratou o denunciado Rodrigo, que estava com seu certificado de carga indivisível vencido, para a execução dessa atividade”, alega a promotoria.

Os meios fraudulentos a que o Ministério Público se refere, que teriam sido utilizados pelo empresário para regularizar a situação do veículo, constam na parte do processo que está sob sigilo.

Procurada pela reportagem, a família das vítimas informou que prefere se pronunciar após ter acesso integral à denúncia.

A reportagem de A Tribuna também procurou a defesa de Rodrigo e Emmanuel. Mas os dois advogados que representam os acusados chegaram a atender as ligações, disseram que não podiam falar e desligaram.
A reportagem voltou a entrar em contato durante a noite de ontem, mas a situação se repetiu.

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