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Moradores constroem presídios mais baratos do que cadeias feitas pelo Governo do Estado

Moradores constroem presídios mais baratos do que cadeias feitas pelo Governo do Estado
08 junho 21:04 2019 Imprimir notícia
Brasil

O empenho de moradores de diferentes municípios de Goiás tem feito a diferença na diminuição da superlotação do sistema penitenciário do estado. Em três anos, comunidades de várias regiões construíram cinco cadeias, que são administradas pelo Governo do Estado, e devem inaugurar outras três nos próximos meses.

A Diretoria de Administração Penitenciária de Goiás (DGAP) não comentou sobre assunto até por volta das 20h deste sábado, apesar da solicitação de nota.

No estado, não é difícil ver fugas de presos ocorrerem como reflexo dessa superlotação. Em Cristalina, 18 detentos foram flagrados pulando o portão nos fundos do presídio, que vive superlotado. Estas situações têm deixado a população preocupada.

Para mudar este cenário, os moradores decidiram por conta própria se juntar e construir presídios. Mas, com duas diferenças em relação às obras tocadas pelo Governo: as construções feitas pela comunidade custaram bem menos e a entrega das obras foi bem mais rápida.

Em Anápolis, o presídio estadual demorou cinco anos para ficar pronto. As 300 vagas custaram R$ 19 milhões aos cofres públicos, mais de R$ 60 mil gastos por cada vaga de preso.

Já a prisão de Rio Verde, erguida pela comunidade, ficou pronta em 1 ano e 3 meses. Tem 350 vagas e custou R$ 7 milhões, uma média de R$ 20 mil por vaga.

“Você recebe muitas doações, você consegue comprar com preços mais baixos, a pessoa vende mais baixo porque aquilo ali é de interesse dela também, há também mão de obra de presos trabalhando e não tem margem de lucro, não tem empresa trabalhando pra ganhar”, disse o promotor de Justiça, Marcelo Celestino.

Os moradores de Orizona se juntaram também e construíram o novo presídio. A cadeia antiga despertava insegurança. O novo prédio foi erguido com doações no ano passado e, desde então, não houve mais fugas.

“Uai! Esse aí foi muito bom! Porque aqui prendia o povo aqui e eles escapulia tudo! Agora de lá não sai, né?”, disse o lavrador João Martins de Carvalho.

Além das doações, outra parte dos recursos vem do judiciário. Dinheiro das multas pagas por quem cometeu crimes de menor potencial ofensivo e que foi destinado pra obra.

“Alguns colegas criticam que essa não é a função do judiciário, que nossa função é decidir e não construir presídios, só que precisa ser feito, já que o Estado é inoperante e muitas vezes ineficiente!”, disse a juíza Danila Claudia Le Sueser.

O que acontece também em Jaraguá, onde o presídio terá 120 vagas.

“Eu costumo dizer que não é uma casa adaptada. É um presídio projetado e bem seguro que vai sim poder cumprir o que determina a lei de execução penal”, afirmou o promotor de Justiça, Everaldo Sebastião de Souza.

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