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Ex-militar que matou namorada Ana Clara no ES será julgado

Ex-militar que matou namorada Ana Clara no ES será julgado
04 julho 19:15 2019 Imprimir notícia
Justiça

Mais de quatro anos após o assassinato da estudante Ana Clara Félix Cabral, 19 anos, o ex-policial militar Itamar Rocha Lourenço Junior vai enfrentar o banco dos réus. A jovem foi morta com cinco tiros e seu corpo foi jogado em uma ribanceira, na Serra. O julgamento está marcado para às 8 horas da próxima quinta-feira (11), na 3ª Vara Criminal da Serra.

O ex-militar foi pronunciado — decisão que o leva a ser julgado pelo Tribunal do Júri — em agosto de 2016. Mas, segundo a advogada da família da jovem, Karlla Keny Soares, que atua como assistente da acusação, diversos recursos apresentados pela defesa adiaram o julgamento do caso. "O que a família espera agora, no próximo dia 11, é que a Justiça seja feita. Eles perderam uma filha e querem que o réu seja condenado com a pena que merece por toda a dor e sofrimento que a eles causou", assinala.

De acordo com a decisão de pronúncia da juíza Daniela Pellegrino de Freitas Nemer, Itamar responderá pelo crime de homicídio por motivo fútil, com recurso que dificultou a defesa da vítima. É acusado ainda de ocultação de cadáver e de comunicação falsa de crime. Na decisão a juíza descreve: "O denunciado executou a vítima ao desferir diversos disparos de arma de fogo e, ato contínuo, ocultou o cadáver em um matagal próximo a estrada. Após o cometimento dos delitos acima, o denunciado procurou se desvencilhar dos elementos que o incriminavam e comunicou a ocorrência de crime de roubo que sabia não ter ocorrido".

Em outro ponto da decisão é dito ainda: "Infere-se que o crime foi praticado por motivo fútil, em virtude do ciúme excessivo do denunciado, cujo comportamento possessivo e violento inclusive com ameaça e agressão anteriores resultou na morte da vítima. Quanto ao modo de execução, o crime foi cometido mediante recurso que dificultou a defesa da vítima, pois Ana Clara encontrava-se a todo momento em companhia do denunciado e neste vínculo afetivo sequer poderia esperar tamanha brutalidade. Do mesmo modo, desarmada e vulnerável foi surpreendida com os vários disparos de arma de fogo que lhe atingiram a cabeça e em maior número às costas", está no texto da decisão. Cinco meses após o assassinato, Itamar foi expulso da Polícia Militar.

A corregedoria da PM considerou que o “comportamento do soldado denegriu a imagem da corporação”. O CRIME O crime aconteceu no dia 5 de fevereiro de 2015, após Ana Clara e Itamar, que havia acabado de reatar a relação, saírem de uma festa em um quiosque na Praia de Camburi, Vitória.

Os depoimentos constantes no processo apontam que a relação do casal era conturbada em decorrência do ciúme que o ex-PM nutria pela jovem. Eles seguiram em direção a Serra, e Ana Clara foi morta dentro do carro de Itamar com cinco tiros, sendo um na cabeça e quatro nas costas.

O corpo dela foi jogado em uma ribanceira na Rodovia do Contorno. Após o crime, Itamar notificou a polícia dizendo que ao sair de um motel, em Cariacica, com a namorada, parou para urinar. Ele contou que nesse momento o carro dele, onde Ana Clara estava, foi cercado por criminosos, que teriam sequestrado a estudante.

A versão do então soldado não convenceu a polícia que fazia diligências para tentar localizar o sequestrador. Para um amigo, ele contou onde estava o corpo de Ana Clara e já durante a noite ele levou os policiais até o local. Mas nunca confessou o crime, nem mesmo em depoimentos à Justiça, e nem disse a motivação e dinâmica do assassinato. RÉU VAI APRESENTAR SUA VERSÃO A situação deverá mudar na próxima quinta-feira (11), dia do julgamento. Segundo o advogado do ex-militar, Rafael Almeida de Souza, que assumiu o caso na etapa do julgamento, Itamar vai aproveitar o momento para apresentar a sua versão dos fatos. "Ele tem permanecido em silêncio, mas na última conversa que tivemos, ele decidiu que agora é o momento de apresentar a sua versão do que aconteceu no dia do crime. Eles namoraram por pouco tempo, mas tiveram um relacionamento um pouco conturbado", relatou.

Itamar, permanece preso, desde o dia do crime, na Penitenciária de Segurança Média I, em Viana. Seu advogado explicou que Itamar não foi acusado de feminicídio porque na época em que os fatos ocorreram ainda não existia esta qualificadora de crime, que surgiu meses depois. "A lei não retroage para prejudicar o réu", explicou Souza.

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