Mulher sobrevive após 3h agarrada a um poste durante enchentes em MG
Uma mulher sobreviveu às inundações que estão afetando Minas Gerais depois de ter ficado agarrada a um poste durante três horas e meia, na segunda-feira. A vítima, Edna Silva, foi arrastada pela cheia no município de Ubá depois de a parede da sua casa desabar.
Esta quinta-feira (26), a mulher de 56 anos contou que a parede da casa desabou e ela acabou sendo arrastada. O noivo, que também estava no local, continua desaparecido.
Apesar da força da correnteza que inundou os locais onde muitas pessoas vivem, a mulher conseguiu agarrar-se a um poste e o resgate foi realizado pelos vizinhos.
"Eu dei tudo o que eu tinha e o que Deus me deu para sobreviver. Foi um milagre, a minha fé me salvou. E, dentro do possível, estou tentando me recuperar. Ontem já consegui jantar um pouquinho", contou em entrevista ao MG1, emocionada.
Edna perdeu a sua casa e o restaurante que tinha, mas contou que nada se compara com não saber qual o paradeiro do noivo, Luciano Fernandes, com quem planejava se casar já no próximo mês.
Como tudo aconteceu
Edna Silva conta que estava em casa com o noivo e com o filho, este último com 31 anos. Segundo explicou, a chuva começou de forma calma, mas acabou por intensificar, acordando todos os que estavam em casa. ainda tentaram tirar os carros da garagem, mas nenhum deles imaginou que a água fosse tão rápida, depois de, na madrugada, o rio que está próximo, transbordar e transformar-se em uma enxurrada.
"Não tive tempo de raciocinar. A água subindo, subindo, subindo. E então deu aquele estrondo, e parecia que a água fez um redemoinho e me derrubou. Fiquei submersa. Eu não sei nadar, não sei sair da água. A única coisa que me veio à mente foi pedir: 'Senhor, não me deixe morrer afogada'", explicou.
Ainda submersa, Edna conseguiu sentir depois o poste e agarrou-o com muita força. Já à superfície, começou a gritar e os vizinhos acudiram. Um deles jogou uma corda para que ela não tivesse de fazer tanta força e que conseguisse aguentar até a água baixar mais.
"O meu vizinho falou 'você não vai mais embora, estou te segurando'. Mas eu estava perdendo a força e eles diziam para eu ter paciência, para eu ter fé. Quando eu consegui encostar o pé no chão, me puxaram. Já na janela, só perguntei: 'Moço que horas são?' Ele falou pra mim: 'Dona Edna, são 5h20 da manhã'", relembrou.
Cerca de três horas e meia depois de ter sido levada pela enxurrada, Edna Silva tomou banho na casa de uma vizinha e já com condições para sair de casa foi até ao seu restaurante, que fica a pouco mais de 100 metros da sua casa. Viu tudo destruído e chorou: "Peguei a única cadeira que sobrou, sentei e fiquei olhando. Eu agradecia. 'Senhor, obrigada por eu e o Bruninho estarmos vivos. Não tenho roupa, não tenho calçado, não tenho telefone, não tenho documentos. Só sobrou a minha vida para recomeçar'", afirmou, referindo-se ao filho.
Nas redes sociais, amigos e familiares de Edna tentam angariar algum dinheiro para o começo desta família e Edna admite que, depois de ter vivo um "milagre", ainda espera por outro, como, com o eventual aparecimento do noivo: "Ainda tenho esperança de encontrá-lo em um hospital ou em outra cidade, não sei. Mas, do jeito que estava a enchente, só outro milagre."
O balanço mais recente dado pela imprensa brasileira dá conta de que as enchentes que se fizeram sentir no estado já fizeram 62 mortos e 9 desaparecidos.
O homem de 50 anos é um dos dois desaparecidos de Ubá.

